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FOLHA DE SÃO
PAULO
03/02/2007
Mercado
Aberto - Governos discutem estadualização de porto
Guilherme
Barros
A discussão sobre a estadualização do porto de Santos,
o maior terminal marítimo da América Latina, promete uma queda-de-braço
entre os governos federal e estadual.
O governo do Estado de São Paulo está a espera de uma sinalização
política do governo federal para a estadualização do
porto de Santos, hoje sob administração federal.
A proposta, feita publicamente na semana passada pelo governador de São
Paulo, José Serra, não foi bem recebida pela Codesp (estatal
federal que administra o porto santista).
Segundo Fabrizio Pierdomenico, diretor comercial da Codesp, a estadualização
não resolve nada e ele lamenta que a questão esteja em pauta.
De acordo com ele, o governo estadual não oferece modelos de gestão,
só propõe a estadualização sem fundamentá-la.
O diretor da Codesp diz que o único objetivo do governo estadual é
ter direito a nomear os diretores da companhia.
Para o Estado, a nomeação de novos cargos não é
um mero detalhe. O secretário de Economia e Planejamento de São
Paulo, Francisco Vidal Luna, diz que "mudar a diretoria é tudo"
e que "é disso que depende o modelo de gestão".
O porto de Santos tem hoje um passivo, trabalhista e tributário, de
cerca de R$ 800 milhões. Segundo Pierdomenico, a discussão deveria
se dar em torno da solução para o pagamento dessa conta, e não
a respeito de cargos.
Luna afirma que a idéia é que, antes da estadualização,
as contas da empresa sejam saneadas.
O debate envolve ainda a questão da dragagem -procedimento para manutenção
da profundidade do porto. Segundo Pierdomenico, a dragagem já tem sido
feita pela atual gestão. Para Luna, "tanto não é
suficiente que o PAC indica a destinação de recursos para isso".
O secretário afirma que, com a proposta de transmissão da gestão,
o Estado não quer dizer que a União não seja capaz, mas
apenas que, "no caso do porto, haveria mais eficiência nas mãos
do Estado, porque é muito regional". Ele diz que acredita que
vai haver cooperação.
Pierdomenico afirma que o porto não tem importância só
para São Paulo. O comércio exterior de Minas Gerais, Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins também depende do terminal.
Para Luna, haverá maior confiança da iniciativa privada para
investir no porto após a estadualização.
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