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MONITOR
MERCANTIL DIGITAL
13/11/2006

Porto do Rio
ganhou projetos
Diante de críticas de que o estudo Porto do Rio 2010 é mais
um sonho, uma vez que necessita de R$ 286 milhões, dos quais 2/3
teriam de sair do Governo Federal - com seus costumeiros contingenciamentos
de verbas - o presidente do Sindicato dos Operadores do Rio de Janeiro,
Rogério Caffaro deu sua resposta. Afirmou que, não poucas
vezes, o Rio perde oportunidades porque há verba alocável
em órgãos federais, mas o Rio não tem projetos e,
se for fazê-los, o exercício terminará - e às
vezes até o governo.
- Em todos os casos apresentados em nosso estudo, há projeto, que
pode ser posto em prática de imediato. Assim, em vez de dois problemas,
que são projeto e verbas, resta só um, que é conseguir
verbas, o que pode ser facilitado diante da necessidade do país
de se impor no comércio exterior.
Segundo Caffaro, o projeto se baseia em obras dos acessos rodoviário,
ferroviário, aquaviário e na integração porto-cidade.
Comentou que, diante da falta de projetos, o vazio estava sendo ocupado
pela Prefeitura do Rio, que apresentava teses apenas culturais, artísticas
e desportivas para o porto, como teatros, ciclovias... e até um
armazém do sexo.
Revelou que, com diálogo, a Prefeitura viu que as áreas
portuárias deveriam continuar portuárias, pois mesmo assim
haveria espaço para outras atividades. Segundo Caffaro, o projeto
Rio 2010 teve o mérito de reunir talentos de várias áreas.
Com isso, espera-se que o Porto do Rio, que é o quarto do país
em valor de sua movimentação - US$ 11 bilhões - poderá
ficará atrás apenas de Santos.
Explicita que trata-se de valor, pois em volume de carga o Rio jamais
será tão expressivo, em razão de limitações
normais de um porto junto a uma cidade. Informou que já está
em curso dragagem, de 1 milhão de metros cúbicos, que é
interessante, mas insuficiente. Deseja-se que, ao menos junto aos terminais
de contêineres, o calado seja de 12,5 metros.
Citou que, em 1910, todo o porto do Rio tinha calado de dez metros e,
hoje, certas áreas da parte antiga estão com calado de sete
e até de quatro metros. "Queremos ter calado linear de dez
metros na parte antiga", frisou. Destacou boa iniciativa, que foi
a demolição do armazém frigorífico - que não
tinha uso -, e disse que se pretende criar um alçapão com
13,5 metros.
Quer-se melhorar o canal de acesso, não apenas quanto à
profundidade, mas também com relação à largura,
para que possa ser usado simultaneamente por dois navios, também
se alargando a bacia de evolução, que junto ao terminal
de contêineres deveria ter profundidade de 15 metros. Em São
Cristóvão e no Caju projeta-se calado de 13,5 metros.
Os planos incluem aumento do diâmetro da bacia de evolução
para 580 metros e pretende-se permitir que, nos terminais de contêineres,
aportem navios de 6 mil contêineres. Na área de carga geral,
o calado pretendido é entre dez e 13,5 metros. Hoje, dos 27 locais
de atracação, apenas 13 estão operacionais.
Acesso ferroviário
O coordenador do projeto Rio 2010 é Delmo Pinho, subsecretário
de Energia e Indústria Naval do Rio. Ele destaca que, no momento,
o acesso ferroviário de bitola estreita não chega ao porto
carioca e que, com poucos gastos, o porto terá acesso das duas
bitolas. Há necessidade de um viaduto, pois o acesso de trens pelas
avenidas Francisco Bicalho e Rodrigues Alves era um problema, que gerou
até uma batida com caminhão de concreto, há dois
anos. Na localidade de Arará pretende-se instalar novo pátio
para vagões de bitola larga.
A Avenida Rio de Janeiro será deslocada para área hoje abandonada
e, com isso, haverá lugar para o novo pátio. Em vez dos
atuais 180, o porto poderá operar de 400 a 450 vagões por
dia. Lembrou Delmo que, em área de 500 km do Porto, situa-se 67%
do Produto Interno Bruto brasileiro e, por isso, há que se melhorar
também o acesso rodoviário; há negociações
em curso entre prefeitura e os governos estadual e federal. Pretende-se
criar uma avenida alternativa, por trás do bairro do Caju - que
seria uma espécie de free-way portuário exclusiva de caminhões
- e se fazer a melhoria da Avenida Carlos Seidl. Outra idéia -
fácil de executar - é um novo portão, de modo que
cargas para o Cais do Caju entrem por um local e saiam por outro. Um ponto
delicado se dá em relação ao Arsenal de Guerra, que
pertence ao Exército. Lá deseja-se instalar um centro de
consolidação de carga de caminhões - truck center
- mas para isso será necessário ceder outra área
ao Exército. Com tudo isso, caminhões que hoje se misturam
ao tráfego normal usariam apenas as vias seletivas.
Em relação ao visual, Delmo comenta que quem passa pelo
porto pensa tratar-se de área degradada, com muros sujos e camelôs
nas proximidades. Ao contrário, lá dentro pagam-se salários
relativamente elevados e a receita de ICMS, a cada ano, aproxima-se de
US$ 1 bilhão. O projeto prevê que grades substituam os muros,
para quem passar ver a operação no cais. E, onde estão
os camelôs - do lado de fora do Armazém 18 -, seria instalado
comércio formal. Junto às grades haverá flores, para
atenuar a rudeza do local. A estação de passageiros, hoje
- mal - instalada - no local chamado Estação do Touring,
passará para o Armazém 4 e dará acesso ao outro lado
da via através de passagem subterrânea. Delmo lembra que
o Rio é ponto de entrada de visitantes por mar.
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